Guga ganha confiança, vira peça importante e vive melhor momento pelo Fluminense

Por três temporadas, Guga conviveu com uma realidade difícil no Fluminense: era quase sempre a primeira opção para substituir Samuel Xavier, mas raramente conseguia transformar as oportunidades em uma sequência consistente como titular. Agora, porém, o cenário mudou.

Aos poucos, o lateral-direito deixou de ser apenas uma alternativa no elenco e passou a ocupar um espaço de protagonismo. Com mais confiança, regularidade e segurança defensiva, Guga vive, possivelmente, o melhor momento desde que chegou ao Fluminense.

A classificação diante do Independiente Rivadavia, pelas oitavas de final da Libertadores, foi mais uma demonstração disso. Em uma partida marcada pela tensão e pela necessidade de resistir à pressão argentina, o camisa 23 teve atuação segura e terminou como um dos principais jogadores tricolores.

Guga liderou o Fluminense em desarmes, com três, e teve aproveitamento perfeito nos duelos: venceu os nove que disputou. Para completar a noite, ainda converteu sua cobrança na disputa de pênaltis que garantiu o Tricolor nas quartas de final.

Mais do que números isolados, o desempenho ajuda a explicar uma mudança importante no funcionamento da equipe.

Desde a chegada de Guga ao clube, o lateral sempre foi reconhecido por sua capacidade de apoiar o ataque. O problema é que, durante boa parte da temporada, o Fluminense sofreu justamente quando perdia a bola e deixava espaços às costas de Samuel Xavier, um jogador naturalmente mais agressivo no apoio ofensivo. Guga oferece outra característica.

Sem abandonar completamente o ataque, o lateral demonstra maior preocupação com o posicionamento e com a proteção do setor. É um jogador que consegue participar da construção, mas também apresenta maior disposição para disputar duelos e recompor rapidamente.

E os números recentes reforçam essa impressão.

Desde o retorno após a pausa para a Copa do Mundo, Guga lidera o Fluminense em duelos ganhos e desarmes, segundo os dados do SofaScore. Em um momento no qual a equipe precisou recuperar organização e confiança, a evolução do lateral acabou sendo especialmente importante.

A trajetória, porém, não foi simples.

Guga chegou ao Fluminense em 2023, contratado junto ao Atlético-MG por aproximadamente R$ 14 milhões. A chegada aconteceu cercada de desconfiança, principalmente pelas oscilações apresentadas durante sua passagem pelo clube mineiro.

No Tricolor, entretanto, rapidamente mostrou que poderia ser útil em momentos importantes.

Ainda naquele primeiro ano, teve atuações de destaque justamente quando a equipe mais precisava. Foi titular na goleada por 4 a 1 sobre o Flamengo, no segundo jogo da final do Campeonato Carioca, e também começou jogando contra o Internacional, no Beira-Rio, pela semifinal da Libertadores.

Nas duas partidas, Guga entrou na equipe porque Samuel Xavier estava suspenso.

O contexto diz muito sobre a trajetória do lateral no clube: durante muito tempo, ele precisou esperar uma oportunidade surgir para mostrar que poderia ocupar aquele espaço.

E, mesmo quando recebia a chance, nem sempre conseguia mantê-la.

No primeiro semestre da temporada passada, por exemplo, chegou a existir um rodízio na lateral direita. Em determinados momentos, Guga conseguiu equilibrar a disputa, mas Samuel Xavier voltou a assumir a posição.

Depois da Copa do Mundo de Clubes, porém, o cenário começou a mudar.

Guga ganhou sequência, respondeu em campo e terminou o segundo semestre como um dos destaques do Fluminense. A confiança aumentou e, consequentemente, o lateral passou a jogar com mais naturalidade.

Agora, em 2026, parece finalmente ter encontrado a estabilidade que tanto buscou.

A renovação contratual assinada no ano passado, estendendo seu vínculo com o Fluminense até o fim de 2029, já indicava que o clube enxergava valor no jogador. Mas transformar confiança da diretoria em protagonismo dentro de campo dependia exclusivamente dele.

E Guga está fazendo isso.

A classificação diante do Rivadavia talvez seja o exemplo mais recente e significativo. Em uma partida em que cada duelo tinha peso enorme, o lateral não se escondeu. Venceu todos os confrontos individuais que disputou, foi agressivo nos desarmes, ajudou a conter os ataques argentinos e ainda teve personalidade para converter a cobrança de pênalti.

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É exatamente o tipo de atuação que muda a percepção sobre um jogador.

Guga não precisa mais ser visto apenas como o reserva de Samuel Xavier.

Pode estar surgindo, enfim, o dono da lateral direita do Fluminense.

Aos 27 anos, o jogador soma 142 partidas, dois gols e 11 assistências pelo clube. Números que mostram uma passagem já relevante, mas que podem ganhar ainda mais peso caso consiga manter o nível apresentado nas últimas partidas.

O desafio agora é transformar a boa fase em regularidade.

Porque uma sequência de bons jogos pode representar muito mais do que apenas um momento positivo. Pode significar a consolidação de um jogador que passou anos vivendo à sombra de outro e que, finalmente, começa a construir sua própria história nas Laranjeiras.

Guga chegou ao Fluminense para disputar posição.

Passou anos como reserva imediato.

Teve altos e baixos, recebeu críticas, aproveitou oportunidades pontuais e esperou pacientemente por uma sequência.

Agora, finalmente, parece ter encontrado seu espaço.

E talvez o Fluminense tenha descoberto que não precisa mais procurar um substituto para Samuel Xavier. Pode ter encontrado, dentro do próprio elenco, o novo titular da posição.

Greidson Campos
Jornalista – Portal R52

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