O ciclo de Paulo Henrique Ganso no Fluminense está chegando ao fim. O clube comunicou oficialmente nesta terça-feira que o meia não será mais relacionado para as partidas após manifestar o desejo de deixar o Tricolor diante de uma proposta de outro clube da Série A. A decisão encerra uma trajetória marcante de um dos principais símbolos da reconstrução recente do clube.
O desfecho ganhou força nos bastidores no último sábado, antes da partida contra o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. Já concentrado com a delegação em São Paulo, Ganso procurou a diretoria e a comissão técnica para informar que vinha conversando com outra equipe e pediu para não entrar em campo. O motivo era estratégico: caso atuasse, completaria o 13º jogo no Brasileirão e ficaria impedido de defender outro clube da Série A nesta temporada.
Para evitar exposição pública imediata, ficou acordado que o camisa 10 permaneceria no banco de reservas, mas sem ser utilizado por Luis Zubeldía. A situação, porém, causou desconforto internamente, principalmente pela comunicação ter acontecido poucas horas antes da partida, obrigando a comissão técnica a alterar o planejamento do jogo.
Apesar do desgaste causado pela situação, não houve ruptura entre Ganso e Zubeldía. O treinador argentino sempre demonstrou admiração pelo futebol do meia e considerava o jogador uma peça importante em jogos decisivos, principalmente nas competições eliminatórias. Não por acaso, Ganso vinha sendo utilizado frequentemente na Libertadores e na Copa do Brasil, mesmo tendo perdido espaço no Campeonato Brasileiro.
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Nos bastidores, porém, o cenário já indicava que o fim da passagem do camisa 10 estava próximo. A chegada de Savarino no início da temporada aumentou a concorrência no setor criativo, e pessoas próximas ao jogador afirmam que Ganso demonstrava preocupação com a redução de espaço no elenco desde os primeiros meses do ano.
A nota oficial divulgada pelo Fluminense também gerou incômodo no entorno do jogador. Segundo pessoas ligadas ao meia, ainda não existe negociação concretizada, apenas conversas em andamento com outro clube brasileiro. Mesmo assim, o Tricolor optou por liberá-lo das próximas partidas, incluindo o duelo decisivo contra o Deportivo La Guaira pela Libertadores.
Internamente, o entendimento é que o ambiente já não sustentava uma continuidade natural até o fim da temporada. Ganso, por sua vez, preferiu evitar qualquer manifestação pública sobre o caso para não ampliar a repercussão.
Caso a saída seja confirmada oficialmente nos próximos dias, Ganso encerrará sua passagem pelo Fluminense como um dos personagens mais importantes da história recente do clube. Contratado em um momento de crise e luta contra o rebaixamento, o meia se transformou no principal cérebro da equipe durante a retomada tricolor nos últimos anos.
Ao todo, são 316 jogos, 30 gols e 35 assistências com a camisa do Fluminense. Mais do que os números, deixa como legado o protagonismo técnico na conquista de títulos históricos, como os Campeonatos Cariocas de 2022 e 2023, a inédita Libertadores de 2023 e a Recopa Sul-Americana de 2024.
A possível despedida de Ganso também simboliza o encerramento de uma geração que recolocou o Fluminense entre os protagonistas da América do Sul. Um jogador que, mesmo convivendo com críticas e oscilações físicas ao longo dos anos, terminou sua trajetória como referência técnica, liderança de elenco e personagem fundamental de uma das fases mais vitoriosas da história recente do clube.
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