O Fluminense viveu uma noite de alívio, tensão e emoção no Maracanã. A classificação para as oitavas de final da Libertadores veio com vitória por 3 a 1 sobre o Deportivo La Guaira, mas o roteiro deixou claro o tamanho da pressão que o elenco carregava nas costas. Mais do que jogar contra os venezuelanos, o Tricolor passou boa parte da partida dividido entre o gramado e o que acontecia simultaneamente em Bolívar x Independiente Rivadavia.
E não foi força de expressão.
Enquanto o Fluminense fazia sua parte diante de mais de 50 mil torcedores, jogadores acompanhavam o outro jogo pelo celular ainda durante o aquecimento. Soteldo, Cano, Bernal e Millán paravam para olhar os lances da partida decisiva do Grupo C, que definiria o futuro tricolor na competição. Dentro de campo, o nervosismo era evidente. Nas arquibancadas, cada explosão da torcida gerava dúvida: foi gol em La Paz ou apenas um lance no Maracanã?
O próprio Luis Zubeldía admitiu o cenário quase surreal vivido pelo time:
— Estávamos jogando em dois campos ao mesmo tempo.
A frase resume perfeitamente o que foi a classificação tricolor.
Participe do nosso Grupo de whatsApp, queremos a sua opinião!
O Fluminense se colocou nessa situação após uma campanha desastrosa nas quatro primeiras rodadas da fase de grupos, quando somou apenas dois pontos e ficou à beira da eliminação precoce. A reação veio no limite. E talvez justamente por isso o apito final tenha carregado tanto peso emocional.
Quando o jogo terminou no Maracanã, jogadores e membros da comissão técnica ainda aguardavam os minutos finais de Bolívar x Rivadavia. Parte do elenco se reuniu ao redor de um celular de um funcionário da Conmebol acompanhando os acréscimos. O empate em 1 a 1 ainda eliminava o Fluminense. Foi então que os argentinos marcaram duas vezes nos minutos finais e transformaram a tensão em explosão.
O Maracanã comemorou como se os gols tivessem sido do próprio Fluminense.
Zubeldía, pressionado nas últimas semanas, apareceu emocionado. O treinador argentino abraçou jogadores um a um no gramado e demonstrou um alívio visível também no vestiário. Não era apenas uma classificação. Era a sobrevivência de um projeto que vinha cercado por desconfiança, críticas e cobranças pesadas.
John Kennedy mais uma vez foi símbolo desse momento. Decisivo nas últimas semanas, o atacante voltou a chamar a responsabilidade em uma partida que poderia definir o rumo da temporada. Ao lado dele, Fábio, Martinelli, Hércules e Lucho Acosta foram alguns dos jogadores que simbolizaram a resistência tricolor em meio ao caos.
Agora, o Fluminense avança às oitavas de final no pote 2 e sabe que terá um caminho complicado pela frente. Por ter a pior campanha entre os classificados, decidirá todos os confrontos fora de casa. O sorteio acontece na próxima sexta-feira (29).
Mas, independentemente do adversário, a sensação no Maracanã foi clara: o Fluminense escapou do abismo. E talvez justamente por ter sobrevivido no limite, reencontre agora o ambiente emocional que tantas vezes marcou suas campanhas recentes em mata-matas continentais.
Compartilhe o artigo em suas redes sociais!
Siga o Resenha 52 no WhatsApp, Facebook, Instagram e youtube
E-mail para contato: contato@resenha52.com.br



