Fluminense volta à Argentina em busca de mais uma noite histórica na Libertadores

A Argentina volta a aparecer no caminho do Fluminense em um momento decisivo da temporada. Nesta terça-feira (18), o Tricolor enfrenta o Independiente Rivadavia, em Mendoza, pelo jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, precisando vencer para avançar às quartas de final. O cenário é diferente das grandes noites do passado, mas o histórico recente do clube no país mostra que o território argentino já foi palco de alguns dos capítulos mais marcantes da trajetória tricolor neste século.

Desde o retorno à Libertadores, em 2008, o Fluminense disputou dez partidas em solo argentino, com quatro vitórias, três empates e três derrotas. Foram 15 gols marcados e 14 sofridos. Nesse período, o clube viveu praticamente todos os tipos de roteiro: sofreu derrotas dolorosas, conquistou classificações improváveis e protagonizou vitórias que entraram para a história da competição.

Agora, diante do Rivadavia, o Fluminense precisa escrever mais um capítulo. E, desta vez, não há espaço para administrar o resultado.

A primeira viagem do Fluminense à Argentina nesta sequência aconteceu em 2008, durante a fase de grupos da Libertadores. O adversário foi o Arsenal de Sarandí, e o Tricolor chegou ao confronto invicto na competição.

A atuação, porém, esteve longe do esperado. Depois de um primeiro tempo sem grandes oportunidades, o Fluminense sofreu dois gols na etapa final, marcados por Biagini e Bottaro, e acabou derrotado por 2 a 0. Thiago Neves ainda foi expulso.

Meses depois, a história seria completamente diferente.

Na semifinal, o adversário era o poderoso Boca Juniors. Como a Bombonera não poderia receber a partida, o duelo aconteceu no estádio do Racing, em Avellaneda.

Foi uma partida intensa. Riquelme abriu o placar aos 11 minutos, mas Thiago Silva empatou apenas quatro minutos depois, de cabeça, após cobrança de falta de Thiago Neves.

O Boca voltou a ficar na frente na segunda etapa, novamente com Riquelme. O Fluminense, porém, encontrou forças para reagir. Aos 31 minutos, Thiago Neves arriscou de fora da área e contou com uma falha do goleiro Migliore para marcar o empate por 2 a 2.

O resultado deixou a decisão da vaga para o Maracanã. No Rio, o Fluminense venceu por 3 a 1 e garantiu presença na primeira final de Libertadores de sua história.

Três anos depois, a Argentina seria novamente palco de uma das classificações mais improváveis da história do Fluminense.

Na última rodada da fase de grupos de 2011, o Tricolor precisava vencer o Argentinos Juniors e ainda dependia de outro resultado. Como Nacional e América do México empataram, o Fluminense precisava vencer por dois gols de diferença para avançar.

No estádio Diego Armando Maradona, o time protagonizou uma partida frenética.

O Fluminense venceu por 4 a 2, com gols de Júlio César, Rafael Moura e Fred, duas vezes. Mas a classificação só foi confirmada nos minutos finais.

Quando o placar ainda estava em 3 a 2, o resultado não era suficiente. Aos 43 minutos do segundo tempo, Fred converteu um pênalti e marcou o quarto gol.

O 4 a 2 colocou o Fluminense nas oitavas de final e eternizou mais uma noite do chamado Time de Guerreiros.

Se existe uma vitória capaz de resumir a força do Fluminense em território argentino, aquela conquistada em 2012 contra o Boca Juniors certamente está entre as principais.

Mais de três mil tricolores acompanharam a equipe na Bombonera. E o Fluminense não se intimidou.

Fred abriu o placar de cabeça, após passe de Deco. Somoza empatou no início do segundo tempo, mas Deco apareceu novamente para recolocar o Tricolor na frente.

O resultado foi ainda mais significativo porque encerrou uma invencibilidade de 36 partidas do Boca Juniors.

Foi uma vitória de peso, em um dos estádios mais tradicionais do futebol sul-americano.

Na mesma Libertadores, o Fluminense voltou à Argentina na última rodada da fase de grupos. Desta vez, o adversário era novamente o Arsenal de Sarandí.

Já classificado, o Tricolor buscava terminar a primeira fase com a melhor campanha geral.

Carlinhos abriu o placar, mas Nicolás Aguirre empatou e transformou o jogo em um drama.

O Fluminense ainda desperdiçou um pênalti e viu o goleiro adversário ser expulso depois que o Arsenal já havia realizado todas as substituições. Um jogador de linha precisou assumir a posição.

Mesmo assim, a vitória demorou a sair.

Aos 47 minutos do segundo tempo, Rafael Moura marcou o gol da vitória por 2 a 1 e garantiu ao Fluminense a melhor campanha da fase de grupos, com cinco vitórias em seis partidas.

Pouco menos de um mês depois, o Fluminense retornou à Bombonera, agora pelas quartas de final.

O Tricolor começou a partida com personalidade e criou oportunidades, mas o cenário mudou aos 34 minutos. Carlinhos, que já tinha cartão amarelo, recebeu a segunda advertência e foi expulso.

Com um jogador a mais, o Boca aumentou a pressão. Diego Cavalieri apareceu em diversas oportunidades e manteve o Fluminense vivo.

A resistência acabou aos seis minutos da segunda etapa, quando Mouche recebeu dentro da área e marcou o único gol da partida.

O Fluminense perdeu por 1 a 0 na Argentina e, no jogo de volta, empatou por 1 a 1 no Rio, sendo eliminado.

Nem toda noite argentina terminou com festa tricolor. Mas cada uma delas ajudou a construir a relação do clube com o país.

O histórico ganhou outro capítulo importante em 2022, quando o Fluminense enfrentou o River Plate no Monumental de Núñez.

O Tricolor apresentou uma atuação dominante durante boa parte da partida e construiu uma vitória por 3 a 1.

Fred abriu o placar aos 22 minutos, após assistência de Caio Paulista. Pouco depois, o próprio Caio voltou a participar da jogada e serviu Nenê, que marcou o segundo.

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O River ainda acertou a trave no primeiro tempo, mas o Fluminense foi para o intervalo com vantagem confortável.

Na etapa final, Maidana foi expulso e, mesmo com um jogador a menos, o River conseguiu diminuir com Girotti.

Nos acréscimos, porém, Yago Felipe marcou o terceiro e confirmou a vitória tricolor.

Naquele momento, o Fluminense se tornou apenas o segundo clube brasileiro a vencer Boca Juniors na Bombonera e River Plate no Monumental pela Libertadores.

Um ano depois, o Fluminense voltou ao Monumental.

O contexto, porém, era diferente.

O Tricolor havia aplicado uma goleada histórica de 5 a 1 sobre o River no Maracanã e poderia encaminhar a classificação com um resultado positivo em Buenos Aires.

Desta vez, os argentinos levaram a melhor.

O Fluminense teve dificuldades para controlar o jogo e perdeu por 2 a 0. A derrota adiou a classificação às oitavas e aconteceu justamente durante um período de queda de rendimento da equipe de Fernando Diniz.

Curiosamente, aquele resultado seria a última derrota do Fluminense na Libertadores de 2023.

Meses depois, o clube levantaria a taça no Maracanã pela primeira vez.

Ainda naquela campanha histórica, o Fluminense voltou à Argentina para enfrentar o Argentinos Juniors pelas oitavas de final.

Foi uma das partidas mais caóticas daquele caminho até o título.

O Tricolor sofreu com a intensidade argentina, teve problemas defensivos e viu o adversário criar situações perigosas. Fábio foi importante para evitar um prejuízo maior.

Na reta final, uma sequência de acontecimentos incomuns mudou completamente o jogo.

Marcelo foi expulso após um lance envolvendo Luciano Sánchez. Pouco depois, o goleiro Martín Arias também recebeu cartão vermelho.

Como o Argentinos Juniors já havia realizado todas as substituições, o meia Heredia precisou assumir a posição de goleiro.

Foi nesse cenário que Samuel Xavier apareceu.

Aos 41 minutos, Leo Fernández encontrou o lateral, que acertou um chute fortíssimo no ângulo e marcou o empate por 1 a 1.

O resultado foi fundamental para o confronto. No Maracanã, o Fluminense venceu por 2 a 0 e avançou às quartas de final.

A história mais recente aconteceu justamente no estádio Malvinas Argentinas, palco do confronto desta terça-feira.

Em maio, ainda pela fase de grupos, o Fluminense chegou a Mendoza pressionado. Uma derrota para o Independiente Rivadavia poderia deixar a classificação bastante complicada.

O Tricolor teve mais posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio territorial em oportunidades.

O Rivadavia foi mais perigoso em alguns momentos e criou as melhores chances da primeira etapa. Sartori obrigou Fábio a fazer uma grande defesa, enquanto Álex Arce acertou o travessão e Florentín também parou no goleiro tricolor.

Na segunda etapa, o Fluminense melhorou, mas voltou a sofrer com um problema que já havia aparecido em outros momentos da temporada: a bola aérea.

Álex Arce colocou os argentinos em vantagem.

Quando a derrota parecia encaminhada, surgiu John Kennedy.

Já nos acréscimos, o atacante marcou o gol do empate por 1 a 1 e manteve o Fluminense vivo na competição.

Agora, pouco mais de três meses depois, o Tricolor está novamente diante do mesmo adversário e no mesmo estádio.

A diferença é que, desta vez, não existe espaço para deixar a decisão para depois.

O empate no Maracanã obriga o Fluminense a vencer em Mendoza para avançar diretamente às quartas de final. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis.

A Argentina já foi cenário de sofrimento, superação, eliminações, classificações improváveis e vitórias históricas para o Fluminense.

Nesta terça-feira, o Tricolor terá a oportunidade de transformar mais uma visita a solo argentino em uma noite para ser lembrada.

Porque, se existe algo que a história recente da Libertadores mostra, é que o Fluminense já provou diversas vezes que sabe sobreviver quando tudo parece estar contra ele.

Agora, precisa provar novamente.

Greidson Campos
Jornalista – Portal R52

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