O Fluminense viveu uma noite daquelas que justificam o apelido de Time de Guerreiros. Em Mendoza, o Tricolor empatou em 1 a 1 com o Independiente Rivadavia no tempo regulamentar e, depois de uma decisão dramática nos pênaltis, venceu por 5 a 4 para garantir uma vaga nas quartas de final da Libertadores.
A classificação teve todos os ingredientes de uma partida de mata-mata: tensão, expulsão, gol nos minutos finais, pressão da torcida argentina e um goleiro decisivo.
E, mais uma vez, Fábio apareceu quando o Fluminense mais precisava.
Depois de um empate sem gols no Maracanã, o Tricolor sabia que não poderia repetir a atuação apática apresentada no primeiro confronto. Em Mendoza, a equipe mostrou outra postura e conseguiu controlar boa parte da partida, mas acabou precisando dos pênaltis para confirmar a classificação.
Serna coloca o Fluminense na frente
O Fluminense começou a partida buscando controlar as ações e evitando se expor desnecessariamente.
A equipe de Marcão sabia que um gol poderia mudar completamente o cenário da decisão. E foi justamente isso que aconteceu.
Na segunda etapa, Hércules encontrou Kevin Serna em uma jogada de velocidade, e o colombiano apareceu para finalizar e colocar o Tricolor em vantagem.
O gol parecia encaminhar a classificação.
Mas a Libertadores, especialmente fora de casa, não costuma permitir tranquilidade.
Quando o Fluminense parecia ter o controle da classificação, a situação mudou.
Canobbio recebeu cartão vermelho e deixou o Tricolor com um jogador a menos. A partir daquele momento, a equipe precisou abandonar parte da postura ofensiva e passou a concentrar seus esforços na proteção da vantagem.
O Rivadavia cresceu e passou a pressionar em busca do empate.
A situação ficou ainda mais dramática nos minutos finais.
Já nos acréscimos, Ignácio foi envolvido em um lance dentro da área, e a arbitragem marcou pênalti para os argentinos. Alex Arce assumiu a responsabilidade e bateu para deixar tudo igual.
O gol levou a decisão para os pênaltis.
Fábio vira o herói da noite
Se durante os 90 minutos o Fluminense precisou resistir à pressão argentina, nas cobranças de pênaltis apareceu novamente a experiência de um dos maiores goleiros da história do clube.
Fábio defendeu duas cobranças e foi decisivo para colocar o Fluminense nas quartas de final.
O goleiro mostrou frieza em um dos momentos mais importantes da temporada.
Na última cobrança argentina, Fábio apareceu novamente e garantiu a classificação tricolor.
A vitória por 5 a 4 nos pênaltis encerrou uma noite que parecia caminhar para o sofrimento absoluto e terminou com o Fluminense entre os oito melhores da América.
Marcão começa a transformar o ambiente
A classificação também representa um importante capítulo para Marcão.
O treinador assumiu interinamente o Fluminense depois da demissão de Luis Zubeldía, em meio a uma sequência de resultados negativos e enorme pressão sobre o clube. Poucos dias depois, comandou a vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras e agora conduz o Tricolor às quartas de final da Libertadores.
Em apenas dois jogos decisivos, Marcão conseguiu algo que parecia distante semanas atrás: devolver confiança e competitividade ao time.
A equipe ainda apresenta problemas e está longe de ser perfeita. Mas existe uma diferença evidente na postura.
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Contra o Palmeiras, o Fluminense reagiu duas vezes antes de virar o jogo. Em Mendoza, suportou a pressão mesmo depois de ficar com um jogador a menos e conseguiu sobreviver à decisão por pênaltis.
É exatamente esse espírito que a torcida tricolor queria voltar a enxergar.
Fábio escreve mais um capítulo na história do Fluminense
A classificação também reforça a importância de Fábio para o Fluminense.
O goleiro chegou à marca de 117 partidas pela Libertadores, tornando-se o jogador com mais jogos na história da competição, e justamente em uma noite decisiva voltou a ser protagonista.
A experiência acumulada em décadas de futebol apareceu no momento em que o time mais precisava. Fábio não apenas defendeu pênaltis. Ele segurou a pressão, transmitiu segurança e terminou a noite como o principal responsável pela classificação.
O sonho do bicampeonato continua
A eliminação na Copa do Brasil e a crise que culminou na saída de Zubeldía fizeram o Fluminense atravessar um dos períodos mais turbulentos da temporada.
Agora, porém, o cenário mudou. O Tricolor está entre os oito melhores da Libertadores e mantém vivo o sonho de conquistar novamente a América.
A classificação não apaga os problemas apresentados ao longo da temporada, mas oferece algo que o clube precisava desesperadamente: tempo e confiança para reconstruir o caminho.
O Fluminense foi a Mendoza pressionado, enfrentou um adversário que já havia derrotado o clube no Maracanã, ficou com um jogador a menos e sofreu o empate nos acréscimos.
Mesmo assim, não caiu. Sobreviveu.
E, quando a decisão chegou aos pênaltis, teve Fábio.
O Time de Guerreiros está novamente entre os oito melhores da América. E, depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, talvez essa classificação seja muito mais do que uma vaga nas quartas de final: pode ser o ponto de partida para uma nova história em 2026.
Greidson Campos
Jornalista – Portal R52
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