O Vasco queria o Maracanã. O Maracanã, mais uma vez, não quis o Vasco.
O pedido cruz-maltino para mandar contra o Boca Juniors o jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, marcado para 20 de outubro, foi recusado nesta segunda-feira pelo Consórcio Maracanã, responsável pela administração do estádio. É a terceira negativa recebida pelo clube somente em 2026.
A justificativa apresentada pela gestão, liderada por Flamengo e Fluminense, é técnica: o desgaste do gramado e a grande quantidade de partidas e eventos realizados no estádio. O Maracanã iniciou justamente nesta segunda-feira o processo de troca do gramado após receber o NFL Rio Game no último domingo.
Para o Vasco, entretanto, a situação está longe de ser simples.
O clube precisava encontrar um estádio no Rio de Janeiro que atendesse às exigências da Conmebol para uma semifinal continental. São Januário, casa vascaína, não alcança a capacidade mínima de 30 mil lugares estabelecida para essa fase da competição. O estádio comporta 20.419 torcedores dentro das normas atuais de segurança.
O Maracanã aparecia, portanto, como o caminho mais natural.
Só que o caminho foi novamente fechado.
É a terceira negativa no ano
A recusa ao jogo contra o Boca não é um episódio isolado.
Antes disso, o Vasco já havia recebido negativas para utilizar o Maracanã contra Vitória e Palmeiras, pela Copa do Brasil. Em todos os casos, a administração apresentou como justificativa questões relacionadas à programação e às condições do gramado.
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A situação ganhou contornos ainda mais delicados porque existe uma discussão sobre um memorando firmado em 2025 entre Vasco, Flamengo e Fluminense que previa partidas do clube de São Januário no Maracanã.
Na visão apresentada pelo consórcio, porém, o documento não teria força para obrigar a concessionária a disponibilizar o estádio, já que a própria concessionária não assinou o memorando.
Pedrinho ainda tenta encontrar uma saída
O presidente Pedrinho não descarta medidas judiciais para tentar levar o confronto contra o Boca ao Maracanã. Ao mesmo tempo, o Vasco já trabalha com alternativas.
Uma delas é justamente São Januário, embora seja necessário buscar uma flexibilização junto à Conmebol para ampliar a capacidade destinada aos visitantes.
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Pedrinho chegou a afirmar que pretende conversar com Juan Román Riquelme, presidente do Boca Juniors, para tentar viabilizar a presença dos torcedores argentinos em São Januário.
Outra possibilidade é o Nilton Santos, estádio administrado pelo Botafogo e que atende à exigência de capacidade da Conmebol.
A definição precisa acontecer até 10 de outubro, dez dias antes da partida, conforme o regulamento da competição.
E o Maracanã?
Por enquanto, a resposta foi não.
Para o Vasco, resta decidir se vai insistir judicialmente ou concentrar seus esforços em outra alternativa.
Para o Maracanã, o argumento é preservar um gramado que vem sendo submetido a uma sequência pesada de jogos e eventos.
E para o futebol carioca, o episódio acrescenta mais um capítulo à relação cada vez mais complicada entre os grandes clubes do Rio e o estádio mais emblemático do país.
O Vasco queria levar o Boca ao Maracanã.
Mas, pelo menos por enquanto, o clássico palco do futebol carioca está fechado para o Cruz-Maltino.
Por Greidson Campos – Jornalista – Portal R52
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