Por Redação | Resenha52.com.br
19 de Outubro de 2026
Tanto barulho, tanta nota oficial e tanta comoção para isso? O roteiro cruz-maltino já virou um gênero próprio no futebol brasileiro: começa com um melodrama épico nos tribunais e termina em tragédia bucólica dentro das quatro linhas. Durante semanas, a narrativa foi tratada quase como uma questão de honra nacional. Parecia que o Maracanã havia sido interditado para salvar o patrimônio da humanidade se eles não pisassem lá. Teve liminar, choro nas redes, comoção em programa de TV e aquela pose arrogante de quem finalmente ia “mostrar como se ocupa o templo”.
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Pois bem, conseguiram. Abriram os portões, estenderam o tapete e colocaram 70 mil almas para cantar juras de amor antes da bola rolar. Mas esqueceram de avisar ao time que, além de vencer nos autos do processo e fazer pose na rampa da UERJ, era necessário saber jogar futebol. E pior: esqueceram de avisar ao Boca Juniors que eles deveriam fazer parte da festa armada pelos donos da colina. O resultado? Uma aula clássica de catimba, frieza e realidade aplicada direto na alma vascaína.
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Ver o rival transformar a maior obsessão jurídica do ano em uma eliminação melancólica diante dos argentinos é daquelas coisas que aquecem o coração de qualquer tricolor. Enquanto o Fluminense ensina como se domina o continente e transforma o Maracanã em sinônimo de taça erguida com autoridade, o vizinho prefere colecionar manchetes de bastidores para, no fim das contas, entregar o gramado de bandeja para festa estrangeira.
A soberba pré-jogo deu lugar àquele silêncio constrangedor que a torcida deles conhece tão bem quando a ficha cai. Gastaram rios de dinheiro em advogados, mobilizaram desembargador, encheram o peito com discursos inflamados sobre “o direito sagrado de jogar no estádio”, tudo para proporcionar uma noite inesquecível… aos torcedores do Boca, que saíram rindo à toa e cantando em castelhano na saída do metrô.
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No final das contas, o Maracanã até recebeu o espetáculo prometido, só que o papel de protagonista coube ao visitante, deixando para o time da Colina apenas o figurino de anfitrião desastrado. Fica aqui o nosso sincero agradecimento pela faxina e pelo entretenimento proporcionado aos amantes da boa ironia. Agora, com a poeira baixada e a ilusão desfeita, podem recolher as bandeiras, guardar as petições jurídicas na gaveta e voltar tranquilamente para o aconchego de São Januário. O Maracanã continua reservado para quem sabe o que fazer com a bola quando o jogo aperta.
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