O Fluminense continua mostrando que a mudança no comando técnico pode ter provocado uma reação importante na temporada. Neste sábado (22), no Maracanã, o Tricolor saiu atrás do Remo, sofreu com um primeiro tempo abaixo do esperado, mas mostrou poder de reação na etapa final e venceu por 2 a 1, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A vitória tem um peso ainda maior pelo momento vivido pelo clube.
Depois de uma sequência de oito jogos sem vencer que culminou na demissão de Luis Zubeldía, o Fluminense encontrou respostas justamente sob o comando de Marcão. A equipe já havia derrotado o Palmeiras por 3 a 2 e eliminado o Independiente Rivadavia nos pênaltis, garantindo vaga nas quartas de final da Libertadores.
Agora, com a virada sobre o Remo, o Tricolor chega a três partidas de invencibilidade desde a saída do argentino, com duas vitórias e um empate.
Mas a vitória deste sábado não foi simples.
O Fluminense começou tentando assumir o controle da partida e criou algumas oportunidades nos primeiros minutos. Hulk apareceu bem logo no início, enquanto Soteldo também participou de boas jogadas pelo lado esquerdo. O Tricolor chegou a balançar as redes com o venezuelano, mas o gol foi anulado por impedimento na origem da jogada.

O problema foi que, depois de um início promissor, a equipe perdeu intensidade.
O Remo aproveitou.
A equipe paraense conseguiu encontrar espaços e abriu o placar, colocando novamente o Fluminense diante de uma situação que tantas vezes se transformou em problema durante a temporada: sair atrás e precisar buscar uma reação.
No intervalo, vieram as vaias.
A torcida, que havia recuperado parte da confiança depois das vitórias sobre Palmeiras e Rivadavia, demonstrou que ainda não está disposta a aceitar qualquer atuação. O resultado era importante, mas o futebol apresentado pelo Tricolor não correspondia às expectativas.
Marcão, então, mexeu na equipe.
E o Fluminense voltou diferente.
Mais agressivo, mais intenso e disposto a empurrar o Remo para o próprio campo, o Tricolor passou a criar mais situações e encontrou o empate com Hulk, que voltou a marcar pelo Campeonato Brasileiro. O atacante aproveitou uma das principais características da equipe neste momento: a capacidade de atacar pelos lados e buscar a bola aérea.
O empate mudou completamente o ambiente do Maracanã.
E a virada veio justamente de uma aposta de Marcão.
Riquelme Felipe, cria de Xerém, entrou no segundo tempo e, praticamente em seu primeiro contato com a bola, participou diretamente do gol decisivo. O jovem encontrou Kevin Serna, que completou a jogada e marcou o segundo gol tricolor.
Foi mais uma demonstração de que Marcão está conseguindo recuperar jogadores e encontrar soluções dentro do próprio elenco. Serna saiu do banco para decidir.
Riquelme entrou e participou do gol. Hulk voltou a marcar.
E o Fluminense, mais uma vez, conseguiu virar uma partida que parecia caminhar para uma noite complicada. É exatamente esse espírito competitivo que havia desaparecido durante a crise. Não foi uma atuação perfeita. Longe disso.
O primeiro tempo deixou evidente que ainda existem problemas a serem corrigidos. O Fluminense voltou a apresentar dificuldades para transformar posse de bola em domínio efetivo e, em determinados momentos, permitiu que um adversário que luta contra o rebaixamento controlasse setores importantes da partida.
Mas existe uma diferença fundamental em relação ao período anterior.
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O time está reagindo.
Contra o Palmeiras, virou nos minutos finais. Contra o Independiente Rivadavia, suportou a pressão e avançou nos pênaltis. Contra o Remo, saiu atrás no Maracanã e novamente encontrou forças para buscar a vitória. Isso não é detalhe.
Depois de semanas de crise, o Fluminense está recuperando uma característica que sempre esteve muito associada à sua história recente: a capacidade de lutar até o fim.
Com os três pontos, o Tricolor chegou aos 41 pontos e permanece no G-4 do Campeonato Brasileiro.
E agora vem um teste ainda mais importante.
No próximo domingo (30), o Fluminense enfrenta o Athletico-PR, em Curitiba, em um confronto direto pelas primeiras posições. O Furacão aparece imediatamente atrás na tabela, o que transforma a partida em uma oportunidade importante para o Tricolor ampliar sua vantagem e consolidar a posição entre os primeiros colocados.
O cenário que parecia tão complicado há poucas semanas começa a mudar.
A saída de Zubeldía trouxe incerteza. Marcão assumiu inicialmente como solução provisória. Mas os resultados começam a dar ao treinador algo que nenhum discurso seria capaz de oferecer: crédito.
A diretoria, inclusive, anunciou após a vitória sobre o Remo que Marcão será efetivado no comando da equipe.
Ainda é cedo para dizer onde essa história vai terminar.
Mas uma coisa já está clara: o Fluminense voltou a competir.
E, em uma temporada que parecia escapar das mãos do Tricolor, talvez a maior vitória neste momento seja justamente essa capacidade de voltar a acreditar.
O Fluminense não está pronto. Ainda há muito a corrigir. Mas está vivo, está no G-4, está nas quartas da Libertadores e, principalmente, voltou a vencer. E quando um time recupera a confiança, a história pode começar a mudar rapidamente.
Greidson Campos
Jornalista – Portal R52
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