Fluminense insiste nos mesmos erros e paga caro por abrir mão de jogar

O empate em 1 a 1 com o Grêmio deixou mais do que dois pontos pelo caminho. Escancarou, mais uma vez, um problema que o torcedor do Fluminense já conhece de cor: a equipe cria pouco, sofre para controlar os jogos e, quando consegue abrir o placar, insiste em recuar excessivamente para defender uma vantagem mínima.

O Tricolor fez um primeiro tempo tecnicamente pobre. A criatividade ofensiva, que já havia faltado contra o Bragantino, voltou a ser um problema. Lucho Acosta esteve bem marcado, Canobbio pouco participou, Serna foi discreto e Hulk, apesar do gol de pênalti, recebeu poucas bolas em condições de decidir. O time teve posse, mas faltou intensidade, movimentação e aproximação para transformar o domínio em chances reais.

Na segunda etapa, o Fluminense voltou mais ligado e foi premiado com o gol de Hulk. O que parecia ser o início de uma atuação mais consistente acabou dando lugar a um roteiro que vem se repetindo. Em vez de aproveitar o momento para continuar pressionando, Zubeldía optou por proteger o resultado, reforçou a defesa e entregou a posse de bola ao Grêmio.

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A estratégia chamou o adversário para cima e transformou Fábio, novamente, no principal jogador do Fluminense. O goleiro fez grandes defesas e evitou a derrota, mas depender constantemente de atuações milagrosas do camisa 1 não pode ser o plano de um time que pretende brigar na parte de cima da tabela.

A reestreia de Thiago Silva trouxe segurança, liderança e organização ao sistema defensivo, mas nem mesmo um jogador do seu nível consegue compensar problemas coletivos. O empate nos minutos finais teve dose de azar no desvio, é verdade, mas foi consequência de uma postura excessivamente defensiva adotada quando ainda havia tempo para controlar a partida com a bola nos pés.

O Fluminense precisa reencontrar sua identidade. Um elenco com jogadores criativos não pode viver apenas de bolas paradas e da inspiração individual. Se quiser voltar a vencer com regularidade, Zubeldía terá de fazer sua equipe jogar mais e se defender menos. Afinal, no futebol, quem passa o jogo inteiro tentando segurar um placar quase sempre acaba sendo castigado.

Greidson Campos
Jornalista – Portal R52

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