A voz de Paulo Angioni no vestiário do Fluminense ganhou um significado ainda maior após a morte do dirigente, neste sábado (12), aos 80 anos. Em uma das últimas preleções das quais participou no clube, Angioni conversou com o elenco antes da partida de volta contra o Independiente Rivadavia, na Argentina, e deixou uma mensagem de confiança aos jogadores.
Dias depois, aquela confiança seria colocada à prova em uma noite dramática. O Fluminense empatou no tempo regulamentar, levou a decisão para os pênaltis e garantiu a classificação para as quartas de final da Libertadores. Hoje, o discurso de Angioni é lembrado como um dos últimos registros de sua relação direta com o elenco tricolor.
Angioni não fez uma preleção longa. Com a experiência de quem dedicou mais de quatro décadas ao futebol, preferiu falar sobre o momento vivido pelo grupo, pediu que as dificuldades fossem deixadas para trás e, acima de tudo, reforçou sua confiança nos jogadores.
— Lamentar fica só agora, por favor. A vida tá muito corrida. Vamos pensar e olhar para frente — disse o dirigente na ocasião.
A frase resumiu o espírito da conversa. Angioni reconhecia que o momento exigia atenção, mas não queria que os jogadores permanecessem presos aos problemas. Sua função era nos bastidores, mas a experiência acumulada ao longo da carreira permitia enxergar o futebol para além dos 90 minutos.
E o dirigente fez questão de deixar clara sua posição diante do elenco:
— Ou a gente confia ou não confia. Todos confiamos, então vamos em frente.
Angioni pediu que o elenco olhasse para frente
Na sequência, Angioni projetou os compromissos seguintes e pediu concentração aos jogadores. A classificação diante do Rivadavia ainda precisava ser conquistada, mas sua fala não se limitava àquela partida.
— Vamos olhar o adversário de sábado, viajar no domingo, para poder classificar lá.
A mensagem ganhou um significado especial justamente pela relação construída por Angioni com o futebol do Fluminense. Durante anos, o dirigente foi uma presença constante nos bastidores do clube, acompanhando diferentes gerações de jogadores, treinadores e profissionais.

Era uma figura acostumada a conversar, orientar e transmitir confiança, principalmente nos momentos de maior pressão.
Na parte final da preleção, Angioni resumiu de maneira simples a razão pela qual acreditava naquele grupo:
— Para mim é simples porque eu acredito em vocês. Eu não jogo, mas enxergo e entendo que vocês são valorosos — finalizou.
Pouco tempo depois, os jogadores precisariam transformar aquelas palavras em atitude dentro de campo.
O Fluminense enfrentou o Independiente Rivadavia na Argentina, suportou a pressão, levou a decisão para os pênaltis e conquistou a classificação. Fábio foi decisivo na disputa, e o Tricolor avançou em uma das partidas mais dramáticas de sua campanha na Libertadores.
Uma despedida que ganhou outro significado
Após a confirmação da morte de Paulo Angioni, a cena no vestiário passou a ter um peso diferente.
Mais do que uma preleção antes de uma partida decisiva, aquelas palavras se transformaram em um dos últimos registros públicos da relação do dirigente com o elenco do Fluminense.
Angioni construiu sua carreira justamente nos bastidores, onde sua experiência, capacidade de diálogo e conhecimento do futebol o tornaram uma referência para jogadores e profissionais de diferentes gerações.
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Paulo Sérgio Scudiere Angioni morreu neste sábado (12), no Rio de Janeiro, aos 80 anos. O dirigente estava internado em um hospital da Zona Sul desde o início de setembro para tratar um câncer no pâncreas.
Com mais de 40 anos de carreira, Angioni trabalhou em clubes como Vasco, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Bahia e Fluminense, além de ter passado pela Seleção Brasileira.
No Tricolor, teve diferentes períodos de atuação e, desde 2018, comandava o departamento de futebol. Ao longo de sua trajetória no clube, participou de campanhas e conquistas importantes, incluindo os títulos da Libertadores e da Recopa Sul-Americana.
Agora, sua voz no vestiário permanece como parte da memória de uma geração de jogadores que teve em Angioni não apenas um dirigente, mas também alguém disposto a transmitir confiança quando o momento exigia justamente isso.
Greidson Campos
Jornalista – Portal R52
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