Não se iluda com o placar elástico achando que foi apenas mais uma noite comum de pontos corridos. O 4 a 0 sobre o Coritiba no Maracanã foi, acima de tudo, uma demonstração de maturidade. Em outubro, quando a temporada afunila e separa quem apenas compete de quem vai disputar taça, o time de Marcão mandou um recado direto: está pronto para o que vier pela frente.
O que mais chamou atenção não foi a fragilidade do adversário, mas a postura tricolor. O Fluminense aproveitou a Data Fifa como poucos. Voltou com repertório, variação de corredor e uma ocupação de espaço no campo ofensivo que há tempos não se via com tanta fluidez.
Savarino personificou esse salto. Escalado na teoria pela esquerda, flutuou por dentro, atacou a entrelinha pela direita e desmontou o sistema paranaense com inteligência tática rara. Fez três gols, sim, mas seu maior mérito foi dar dinâmica a um ataque que muitas vezes dependia do peso individual. Quando Hulk sai da área para arrastar zagueiro e Ganso acha os atalhos, ter homens como Savarino e Serna atacando o espaço transforma o Fluminense em uma equipe imprevisível.
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E há outro fator que credencia candidatos a campeão: profundidade de elenco. Marcão não teve Renê, Nonato, Canobbio e preservou Soteldo. Em outros tempos, o time sentiria o baque estrutural. Desta vez, Arana e Hércules sustentaram o padrão, enquanto peças que vieram do banco nos acréscimos construíram uma pintura coletiva com Wesley Natã e Lucho. É o grupo respondendo no momento de maior exigência física e mental do ano.
Atrás, solidez. Tirando uma falta despretensiosa que explodiu no travessão e um susto isolado no recomeço, Fábio assistiu a um time que recuperava a bola rápido e sufocava qualquer transição rival sem se desorganizar.
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É óbvio que o nível de exigência vai subir vertiginosamente. Vem aí um Fla-Flu pesado pelo Brasileiro e, logo na sequência, a semifinal da Libertadores contra o Palmeiras. São adversários de outra prateleira. Mas o Tricolor já provou nesta mesma temporada que sabe competir contra eles — seja na virada épica de 3 a 2 sobre o próprio Palmeiras, seja na dureza dos clássicos estaduais.
A diferença é que, agora, o Fluminense chega a essa encruzilhada com confiança renovada, alternativas táticas claras e o elenco na ponta dos cascos. Se vai ser campeão, o campo dirá nas próximas semanas. Mas que deu sinais maiúsculos de que tem bola e casca para isso, não resta a menor dúvida.
Por Greidson Campos – Jornalista – Portal R52
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