O empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, na última terça-feira (11), não trouxe apenas preocupação esportiva ao Fluminense. A partida também expôs o crescente distanciamento entre o time e a torcida, que voltou a protestar contra a equipe de Luis Zubeldía e ainda protagonizou um dado histórico negativo nas arquibancadas do Maracanã.
Sem vencer desde o retorno da pausa para a Copa do Mundo, o Fluminense entrou em campo pressionado e saiu ainda mais questionado. A atuação apática, principalmente no primeiro tempo, irritou os torcedores, que vaiaram a equipe durante a partida e aumentaram os protestos após o apito final.
A insatisfação já havia começado antes mesmo de a bola rolar. A escalação de Rodrigo Castillo como titular gerou expectativa, mas o atacante voltou a apresentar dificuldades e terminou novamente entre os jogadores mais criticados pela torcida. Contratação mais cara da história do clube, Castillo ainda não conseguiu justificar o investimento feito pelo Fluminense.
O problema, porém, não esteve concentrado apenas em uma peça. O time apresentou pouca criatividade, baixo volume ofensivo e dificuldade para transformar a posse de bola em oportunidades reais de gol. O Independiente Rivadavia conseguiu se defender com organização e, em alguns momentos, chegou a ameaçar a meta de Fábio.
No segundo tempo, Zubeldía tentou modificar o cenário com substituições, mas o Fluminense continuou encontrando dificuldades para criar. Hulk, que teve atuação apagada, deixou o campo sob vaias aos 15 minutos para a entrada de Germán Cano.
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A reação das arquibancadas foi imediata. Mais uma vez, a torcida entoou o tradicional protesto de “time sem vergonha” e direcionou críticas ao treinador argentino, que vive seu momento de maior pressão desde que assumiu o comando da equipe.
O resultado também manteve uma marca extremamente negativa. O Fluminense chegou ao seu sexto jogo consecutivo sem vitória e, além disso, terá que decidir a classificação para as quartas de final da Libertadores fora de casa.
Maracanã registra marca negativa
A insatisfação nas arquibancadas também apareceu nos números.
O duelo contra o Independiente Rivadavia registrou 31.279 torcedores presentes, sendo 28.825 pagantes. O número representa o menor público do Fluminense em um jogo de mata-mata da Libertadores no Maracanã desde o início do século.
Até então, a pior marca pertencia à vitória por 1 a 0 sobre o Atlético Nacional, pelas oitavas de final de 2008. Naquela ocasião, 33.616 torcedores estiveram presentes no estádio, sendo 31.700 pagantes.
A diferença para o público desta terça-feira foi de 2.337 presentes.
O cenário chama ainda mais atenção quando se observa que os dois menores públicos do Fluminense no Maracanã pela Libertadores desde 2008 aconteceram justamente contra o Independiente Rivadavia.
Na fase de grupos, quando o time argentino venceu por 2 a 1 no estádio, apenas 27.058 torcedores acompanharam a partida. Agora, no primeiro jogo das oitavas, foram 31.279 presentes.
O número é suficiente para estabelecer um alerta. Pela primeira vez em um mata-mata da Libertadores no Maracanã, o Fluminense não conseguiu alcançar a marca de 30 mil torcedores pagantes.
Mais do que um dado estatístico, o público reduzido reflete o atual momento vivido pelo clube. A equipe deixou de entregar resultados, perdeu a Copa do Brasil para o Vasco, não vence há seis partidas e agora terá que decidir sua permanência na Libertadores longe de casa.
A próxima terça-feira será decisiva. Em Mendoza, Fluminense e Independiente Rivadavia voltarão a se enfrentar, e somente uma vitória garantirá a classificação direta às quartas de final. Um novo empate levará a decisão para os pênaltis.
Para Zubeldía, porém, a partida representa algo ainda maior. O treinador já convive com forte pressão interna e externa e precisa encontrar rapidamente respostas para uma equipe que, além de não vencer, começa a perder também o apoio das arquibancadas.
Greidson Campos
Jornalista – Portal R52
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