O Fluminense atingiu um dos principais objetivos do primeiro semestre ao garantir vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil. Mas a classificação sobre o Operário Ferroviário também reforçou um retrato claro da temporada: Luis Zubeldía ainda não conseguiu consolidar uma equipe titular estável.
A vitória por 2 a 1 no Maracanã aconteceu com a formação considerada hoje a mais próxima do “time ideal” da comissão técnica. Ainda assim, foi a 24ª escalação diferente utilizada pelo treinador em 2026.
O número ajuda a explicar parte da oscilação recente da equipe, principalmente em desempenho coletivo, consistência defensiva e entrosamento ofensivo.
Lesões, desgaste e suspensões desmontaram a sequência
Desde que assumiu o comando do Fluminense, Zubeldía praticamente não conseguiu repetir escalações. Entre problemas físicos, controle de carga e suspensões, o treinador precisou alterar constantemente a estrutura do time.
As ausências mais sentidas recentemente foram de dois pilares do sistema tricolor:
- Luciano Acosta, principal articulador ofensivo da equipe;
- Martinelli, responsável pelo equilíbrio do meio-campo.
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A lesão grau 3 na coxa esquerda sofrida por Martinelli virou especialmente um problema estrutural para o Fluminense. Sem ele, Zubeldía passou a testar diferentes combinações no setor:
- Nonato;
- Facundo Bernal;
- Alisson.
Todos foram utilizados ao lado de Hércules em diferentes momentos.
Além disso, laterais, zaga e ataque também sofreram mudanças frequentes ao longo da temporada.
Apenas três escalações repetidas em 27 jogos
Desde a estreia de Zubeldía, contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense na abertura do Brasileirão, o Fluminense disputou 27 partidas.
Nesse período, o treinador conseguiu repetir a escalação somente três vezes.
A última repetição aconteceu justamente no melhor momento coletivo do time, entre a semifinal e a final do Campeonato Carioca, diante de Club de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo.
A formação era:
- Fábio;
- Samuel Xavier;
- Jemmes;
- Freytes;
- Renê;
- Martinelli;
- Hércules;
- Lucho Acosta;
- Canobbio;
- Serna;
- John Kennedy.
Desde então, praticamente todos os setores sofreram alterações.
A base do time existe — mas ainda sem continuidade
Apesar da alta rotatividade, Zubeldía conseguiu consolidar uma espinha dorsal relativamente clara.
Hoje, alguns jogadores aparecem como peças praticamente incontestáveis:
- Fábio;
- Juan Freytes;
- Martinelli;
- Hércules;
- Lucho Acosta;
- Agustín Canobbio.
Além deles, Yeferson Soteldo e John Kennedy ganharam espaço e hoje aparecem mais próximos da condição de titulares fixos.
Já outras posições seguem abertas:
Laterais
As laterais foram modificadas diversas vezes ao longo da temporada. Guga e Guilherme Arana ganharam espaço recentemente.
Zaga
A dupla defensiva alternou constantemente entre:
- Jemmes;
- Ignácio;
- Millán;
- Freytes.
Ataque
No comando ofensivo, o principal debate segue entre:
- John Kennedy;
- Rodrigo Castillo.
Mesmo sendo artilheiro do time na temporada e decisivo em vários jogos recentes, John Kennedy ainda alterna titularidade com o argentino.
O paradoxo do Fluminense de Zubeldía
O cenário cria um paradoxo interessante.
Ao mesmo tempo em que o Fluminense demonstra ter uma ideia-base de equipe, a falta de continuidade impede o time de atingir estabilidade técnica e emocional.
Isso ajuda a explicar por que o Tricolor:
- alterna jogos muito competitivos com atuações frágeis;
- oscila defensivamente;
- perde intensidade em momentos importantes;
- demonstra insegurança após sofrer gols.
A sequência decisiva das próximas semanas deve finalmente mostrar se Zubeldía conseguirá estabilizar a equipe.
Com confrontos fundamentais contra Club Bolívar e Deportivo La Guaira pela Libertadores, além da disputa simultânea no Brasileirão e Copa do Brasil, o Fluminense chega ao momento mais importante da temporada ainda tentando encontrar sua formação definitiva.
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