O Fluminense garantiu a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil ao vencer o Operário Ferroviário por 2 a 1 no Maracanã. Apesar da vaga assegurada, o clima após o apito final esteve longe de ser tranquilo. Mais uma vez, o time deixou o gramado sob vaias da torcida e ampliou a sensação de preocupação para a sequência decisiva da temporada.
Mais do que simplesmente avançar de fase, o Fluminense precisava convencer o torcedor de que está preparado para as “finais antecipadas” que terá pela frente na Copa Libertadores da América. E a atuação passou longe de gerar essa confiança.
O Tricolor começou a partida em ritmo forte, pressionando alto, ocupando o campo ofensivo e criando volume rapidamente. O pênalti logo nos minutos iniciais ajudou a equipe a abrir vantagem cedo com Yeferson Soteldo. Pouco depois, Luciano Acosta ampliou e praticamente encaminhou a classificação ainda no primeiro tempo.
O cenário parecia perfeito para o Fluminense transformar a noite em afirmação antes dos jogos decisivos da Libertadores. Mas aconteceu justamente o contrário. Após construir a vantagem, o time reduziu drasticamente a intensidade, passou a administrar o jogo cedo demais e permitiu que o Operário crescesse dentro da partida.
O principal sinal de alerta apareceu no segundo tempo. Em vez de manter a agressividade e transformar a classificação em goleada, o Fluminense desacelerou, perdeu força ofensiva e voltou a transmitir insegurança dentro do Maracanã.
A sensação piorou no lance que poderia matar de vez o confronto. Em mais um pênalti para o Tricolor, Savarino, cobrador principal da equipe, entregou a bola para John Kennedy. O atacante desperdiçou a cobrança e aumentou a percepção de que o Fluminense deixava o adversário vivo em um jogo que precisava ser controlado até o fim.
Após a partida, o técnico Luis Zubeldía explicou que o elenco possui dois cobradores oficiais definidos previamente.
“Nós sempre colocamos dois cobradores. Colocamos um responsável pelo pênalti, nesse caso o Savarino, e um segundo cobrador, que é o John Kennedy”, afirmou.
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A decisão faz sentido dentro da política interna de confiança no camisa 9, mas o contexto transformou o erro em um símbolo da atuação tricolor. O momento pedia imposição, controle emocional e construção de confiança antes dos confrontos contra Club Bolívar e Deportivo La Guaira pela Libertadores.
O Fluminense seguiu oferecendo espaços e permitindo crescimento do Operário. A situação só não ficou mais perigosa porque Edwin Torres acabou expulso após diminuir o placar para os visitantes.
Antes disso, o jogo quase entrou em um cenário ainda mais caótico. Lucho Acosta chegou a receber cartão vermelho em um lance revisado pelo VAR. Após análise, a expulsão foi anulada, evitando um problema enorme para o Tricolor no restante da partida.
O gol sofrido pelo Fluminense também evidenciou um problema recorrente da equipe nas últimas semanas: as falhas individuais defensivas. No lance, Jemmes vacilou ao tentar controlar a bola dentro da área, permitindo que Felipe Augusto aproveitasse para diminuir o placar.
Após o jogo, Zubeldía reconheceu publicamente que o elenco atravessa um momento de insegurança.
“Alguns gols são evitáveis. A verdade é que eu não conversei com o Jemmes sobre o que aconteceu naquele cruzamento, quando parecia que ele tinha a bola controlada para afastar. Não sei o que ele pensou naquele lance. Estamos vivendo esse momento e sinceramente não saberia te dizer exatamente por quê. Pode ser um pouco de insegurança, porque não vínhamos vencendo”, declarou o treinador.
Mesmo classificado, o Fluminense sai da noite com mais dúvidas do que certezas. A equipe voltou a oscilar emocionalmente, perdeu intensidade quando tinha controle da partida e mostrou novamente fragilidade defensiva. Em um momento em que o clube precisa de respostas rápidas para sobreviver na Libertadores, a classificação acabou funcionando mais como alívio do que como demonstração de força.
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